O que diz o novo decreto
Recentemente, a Prefeitura de Olinda lançou o Decreto Municipal nº 008/2026, que estabelece diretrizes para o uso de equipamentos móveis de sonorização durante o Carnaval deste ano. O objetivo principal dessa regulamentação é promover a convivência pacífica entre as várias manifestações culturais da festa, ao mesmo tempo que preserva a identidade histórica do evento. Além disso, o decreto visa assegurar a fluidez das chamadas “passarelas naturais da folia”. Essa norma é embasada pela Lei Municipal nº 5.306/2001, modificada pela Lei nº 5.927/2015, e ainda está alinhada com as normas ambientais, de postura e o Código de Trânsito Brasileiro.
Diálogo entre Prefeitura e Agremiações
O novo decreto é fruto de um processo contínuo de diálogo entre a administração pública e as associações que representam as tradições do frevo e do samba em Olinda. Esta colaboração garante que as decisões tomadas reflitam as necessidades e preocupações das agremiações culturais que fazem parte da festa.
A importância do frevo e samba
O frevo e o samba são componentes fundamentais da cultura olindense e, por isso, é essencial que suas práticas sejam respeitadas e protegidas. O decreto reconhece o Carnaval como um patrimônio cultural imaterial, e o frevo foi declarado Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco. Este reconhecimento sublinha a importância de manter a integridade dessas manifestações durante os festejos.

Autorização para equipamentos sonoros
Para utilizar equipamentos móveis de sonorização, as agremiações deverão solicitar uma autorização expressa da Prefeitura. O pedido deve ser feito com pelo menos 24 horas de antecedência ao início do período carnavalesco, apresentando a documentação necessária, uma descrição técnica do equipamento e um cronograma do desfile. Além disso, deve ser assinado um termo de responsabilidade. A autorização pode ser revogada ou suspensa caso as normas não sejam seguidas.
Normas de segurança e fiscalização
O decreto também estabelece regras claras para garantir a segurança e o controle do uso dos equipamentos sonoros. Ao se aproximar de agremiações tradicionais, os responsáveis por esses aparelhos são obrigados a diminuir o volume ou cessar a amplificação se solicitado pelos agentes de fiscalização. É definida uma distância mínima de 50 metros entre diferentes equipamentos para evitar a sobreposição e a poluição sonora.
Consequências do descumprimento
Desrespeitar as normas estabelecidas pode levar à apreensão do equipamento. Além disso, as penalidades incluem uma multa inicial de R$ 10 mil e a possibilidade de perda de incentivos financeiros municipais. A responsabilização pode ser administrativa, civil ou criminal, dependendo da gravidade da infração. A fiscalização será realizada por órgãos municipais, em parceria com as forças de segurança locais.
Preservação da identidade cultural
A preservação da identidade cultural é uma das premissas fundamentais do decreto. As normas visam garantir que as tradições e a essência do Carnaval de Olinda se mantenham intactas, permitindo que a festa continue a ser um reflexo da cultura local e da participação das comunidades, respeitando suas tradições e práticas.
Passarelas naturais e sua importância
As passarelas naturais são áreas reservadas para a circulação dos foliões e particularmente das agremiações tradicionais, como os blocos de frevo, maracatus e afoxés. Essas passagens são essenciais para manter a fluidez da festa e assegurar que as manifestações culturais possam ocorrer sem interrupções ou interferências indevidas.
Requisitos técnicos para o uso
Os equipamentos sonoros que forem acoplados a veículos devem seguir todas as normas do Código de Trânsito Brasileiro. Isso implica em assegurar que o veículo esteja devidamente licenciado e que o condutor possua a habilitação correspondente. Durante os desfiles, a velocidade deve ser limitada a 10 km/h, e é proibido que pessoas estejam sobre os veículos ou as estruturas de som enquanto estes estiverem em movimento. Também não é permitido o uso de fogos de artifício ou a circulação em ruas que não são autorizadas.
Planejamento colaborativo para o Carnaval
A gestão municipal enfatiza a importância do Carnaval como um evento que deve ser construído em conjunto com a participação ativa das agremiações e entidades culturais. O planejamento do Carnaval, portanto, precisa envolver discussões sobre regulamentações sonoras e normas que impactem diretamente a festividade. O compromisso da Prefeitura inclui a retomada das discussões sobre este tema em abril, ampliando o diálogo para abordar outras questões que afetam a realização do evento.


