O Retorno do Bloco Vaca Profana
Após um intervalo de dois anos, o renomado bloco feminista Vaca Profana fez seu retorno às ladeiras históricas de Olinda neste Carnaval de 2026. Celebrando seu 11º aniversário, o bloco trouxe uma mensagem de união entre as mulheres e se destacou pela homenagem às mulheres trans, reforçando a importância da pluralidade feminina. Este retorno marca um evento muito aguardado por suas participantes, que esperam ansiosamente por essa celebração que promove a inclusão e a liberdade de expressão.
Homenagem às Mulheres Trans
Neste ano, a Vaca Profana decidiu prestar especial atenção às mulheres trans, incorporando essa homenagem em sua temática e em suas vestimentas. A fundadora do bloco, Dandara Pagu, enfatizou que o objetivo era celebrar todas as mulheres, independentemente de suas identidades, e que a presença das mulheres trans é fundamental para o fortalecimento do movimento. Durante o evento, a diversidade foi exaltada, e as participantes puderam se sentir acolhidas.
A Fundadora Dandara Pagu
Dandara Pagu, a idealizadora do bloco, expressou que a pausa em 2025 foi uma resposta a um incidente que envolveu movimentos radicais feministas que queriam restringir a participação das mulheres trans no evento. Segundo ela, a interrupção foi uma oportunidade para refletir sobre o espaço que o bloco deveria ocupar e a mensagem que desejavam transmitir. “Decidimos repensar e voltar em 2026 com uma nova visão que acolhe a diversidade de forma mais efetiva”, afirmou Dandara.

Reflexões sobre Inclusão
A Vaca Profana vai além de um bloco de carnaval. É um espaço onde se debate a inclusão e a luta pela igualdade. Dandara destacou que sua luta é contra a opressão e que não faz sentido praticar discriminação dentro do próprio movimento. “Nosso bloco é um espelho da sociedade que desejamos: um local onde todas as mulheres têm autonomia e liberdade”, reforçou ela, mostrando a relevância do diálogo sobre a inclusão de todas as identidades no carnaval.
O Papel das Musicistas no Bloco
Outro destaque deste ano foi a participação de um grupo de 30 musicistas, todas mulheres, que trouxeram um espetáculo vibrante sob a liderança da maestrina Lourdinha. Esta iniciativa visa não apenas valorizar o talento feminino, mas também proporcionar um ambiente seguro e acolhedor para que mulheres se sintam à vontade para expressar sua arte e criatividade. A presença delas enriqueceu a festividade, trazendo melodias que ecoaram as vozes e experiências de mulheres de todos os tipos.
Cultura e Sexualidade no Carnaval
O carnaval é um momento de liberdade onde as pessoas se expressam sem medo e, em um contexto de diversidade, essa liberdade é ainda mais necessária. O Vaca Profana, ao abraçar a diversidade e a sexualidade de forma aberta, cria um espaço revolucionário. As participantes não apenas celebram, mas também reivindicam direitos, o que torna essa experiência muito mais significativa para cada uma delas.
O Impacto do Bloco em Olinda
O Vaca Profana não é apenas um bloco; ele simboliza uma luta constante por reconhecimento e respeito. Com sua volta, o bloco reafirma sua importância no cenário cultural de Olinda, atraindo não apenas foliões da cidade, mas também turistas de outras regiões. Este fenômeno ajuda a promover a cidade como um Destino Aberto e acolhedor, reforçando a relevância do carnaval como um espaço para reivindicações sociais e culturais.
Experiências de Mulheres no Bloco
O clima de acolhimento e a segurança trazida pelo bloco são elementos-chave para que mulheres se sintam confortáveis para participar. A professora e pesquisadora Emanuella Maria, que pela primeira vez se juntou ao bloco, compartilhou como a história de Dandara e as mensagens do bloco ressoam com suas próprias vivências. Ela mencionou que a experiência de transitar por um espaço que celebra a liberdade do corpo feminino é transformadora e necessária para todas as mulheres presentes.
A Segurança no Carnaval Feminista
Outro aspecto fundamental discutido foi a segurança das participantes. Marta Arthem, uma frequentadora recorrente do bloco, ressaltou que a sensação de segurança é crucial, permitindo que mulheres se expressem plenamente. “A presença de um cordão de segurança e a consciência coletiva sobre a necessidade de um espaço seguro são vitais para a nossa folia”, destacou. Com essa estrutura, o bloco busca minimizar riscos e garantir uma experiência alegre e livre de assédios.
Futuro e Sustentabilidade do Bloco
O futuro do Vaca Profana parece promissor, com planos de expandir ainda mais sua mensagem e engajamento. A fundadora Dandara Pagu expressou seu desejo de que o bloco continue a ser um espaço de resistência cultural e empoderamento feminino. Com uma base de apoio crescente e um propósito claro de inclusão, o bloco está posicionado para ser um modelo de como eventos carnavalescos podem servir como plataformas para discussões sociais relevantes, promovendo mudanças significativas.
Em suma, a volta do bloco Vaca Profana não é apenas uma celebração da cultura do carnaval, mas também uma reafirmação da luta feminina e trans, provando que a folia pode e deve ser um espaço para todas as vozes. O carnaval de 2026 em Olinda ressoou com a força e a diversidade das mulheres, mostrar que a verdadeira liberdade passa pelo respeito e pela inclusão.


